segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Rocket Stove na sua essencia


O nome Rocket Stove (queima de ar invertido) vêm do som provocado pela sucção de ar e da chama parecida a um jacto que sai pela chaminé. Este sistema usa 20% da madeira de uma lareira ou salamandra convencionais.
O objectivo é armazenar calor em massa, para que o calor saia gradualmente, não queremos altas temperaturas mas uma temperatura amena durante 24 a 48 horas.
Quando a massa retém calor, só a vai libertar quando existirem temperaturas inferiores no exterior, ou seja vai funcionar como um termostato natural.
Este método é o menos conhecido da nossa industria e o mais eficaz na queima(a ciência diz...). Porquê a mais eficaz? Pelas leis da física o ar não desce, mas sobe. Neste caso o ar desce, e por sucção. Quanto mais quente estiver o núcleo e a chaminé, mais aceleração de ar existe por efeito  da convecção. Esta força da física faz com que o ar entre "forçado", dando uma chama mais precisa e muito mais activa. Se olharmos para uma fogueira, e observar-mos com atenção vamos ver tons azulados, laranjas, completamente brancos e fumo. Isto acontece porque o ar que está a alimentar a queima é "desorganizado" dando o leque total da influencia do ar na queima. O que se procura é a cor branca, aqui sabemos que a queima está no seu ponto máximo de eficácia nos tais 99,9%.

Nos países em desenvolvimento, onde escasseiam os recursos por desertificação, este tipo de sistemas vão recebendo todos os anos prémios verdes por reduzirem emissões de fumos em cozinhas e por evitarem o uso de lenha de grande porte, evitando assim o corte de árvores e diminuindo o alastrar da desertificação.

Aqui um desenho que mostra o equipamento com e sem tampa

 Aqui o corte a explicar como flui o ar/queima





Forno de Camara dupla e alimentação exterior.

Este forno é desenhado pelo autor deste blog Ricardo Xavier, é um projecto que espero vá brevemente para a frente. Tento juntar o que conheço por experiência de construção, o que observo de outros construtores, aprender das varias necessidades de um cozinheiro quer na confecção como na transformação de produtos e tentar dar o máximo de versatilidade.
Quais as diferenças para um forno típico a lenha? Uma novidade nesta área é a "relação" entre a porta do forno e a secção da chaminé. A porta têm uma abertura de ar directamente relacionada com a secção da chaminé, que é a única entrada de ar. Explicando sucintamente, o ar entra, alimenta a queima, a queima liberta fumo, quando este se desloca para a chaminé(perto da porta), entra em contacto novamente com ar fresco e o fumo (partículas de madeira que não fizeram a sua explosão/energia não convertida em calor), queima/requeima novamente/na totalidade. Calcula-se que se poupe aproximadamente  30% de lenha e sem fumo. Salva pizza italiana a Roma !!
 Nos sistemas já construídos, a câmara da frente serve essencialmente para colocar a chaminé, para evitar que o fumo saia pela porta. Aqui  as camaras, são separadas uma da outra, por uma porta. A camara de trás será mais quente e a camara da frente menos quente. Permite por exemplo ter pizas na camara do fundo e sopa a aquecer  na primeira.
Repararam no bloco encostado à parte de trás do forno? É o núcleo de um Rocket Stove que alimenta de calor o forno. Serve para aumentar a temperatura do forno, ou para dar pequenas temperaturas ocasionais para confecção de lacticínios, secagem de alimentos etc
 A vantagem de existirem duas formas de aquecer o forno é a seguinte. Quando se aquece um forno a altas temperaturas, se se mantiver a porta fechada após a cozedura, o forno ficará a irradiar calor por oito horas, e vai demorar provavelmente mais oito horas a até ficar frio. Resumindo é possivel com uma estratégia delineada produzir vários produtos, explorando as varias temperaturas.
 Agora imaginemos que só queria fazer iogurte, vou usar o forno? Manda o bom senso não o usar.
 É aqui que entra o Rocket Stove, é rápido a aquecer, gasta pouca lenha e por este calor ir ser absorvido por uma estrutura armazenadora de massa quente e não inox, poderá ser um produto imbatível a baixas temperaturas.
É um dispêndio de  brutal de energia, ir buscar lenha, transportar, cortar...

A nossa responsabilidade perante as futuras gerações é capturar e não libertar carbono.

Nota: os materiais aqui usados são apenas um exemplo, eles podem variar consoante os recursos existentes.

Secção do forno

Soluções para Salamandras

A grande vantagem de uma salamandra é o efeito de calor instantâneo que provoca quando ligado, a grande desvantagem da salamandra é o efeito de perda de calor instantâneo quando o fogo se apaga. Resumindo, é um sistema que por ser em ferro, irradia todo o seu calor não retendo nenhum.
A solução rápida é isolar a salamandra com um material que retenha calor ou "armazenamento de massa quente", naturalmente a solução vai para COB, que é a mistura de areia, barro e palha. Este material pré-histórico, têm a maravilhosa característica de armazenar calor, ser gratuito(terra com estas características existe por toda a parte) e a nível de acabamento não rachar, podendo ser moldado, com grande potencialidade para vários tipos de acabamento. A pedra, tijolo de burro são outras soluções evidentes, apesar do COB ter a vantagem de ser mais fácil e de cobrir todos os espaços vazios.
No fim o objectivo é reter o calor para que este emane de forma gradual e lenta.

Outra solução é isolar a chaminé com o mesmo material anteriormente referido. É possível ainda aquecer agua (colunas de agua ou mesmo cozinhar directamente). Existem soluções em que uma salamandra é ao mesmo tempo um ponto de cozinha, aquecimento de agua para banhos e claro aquecimento da casa. São tudo soluções ou alterações que racionalizam o uso de energia e claro da carteira.